sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O Renascimento da Teoria Pós-Industrial

“Rótulos (...) podem pautar a realidade, ou, pelo menos, a realidade acadêmica. Inspiram conferencias, livros, programas de televisão. (...) “A multidão solitária”, “a sociedade afluente”, “a sociedade tecnológica”, “os persuasores ocultos”, “a elite de poder” são exemplos bem conhecidos de rótulos que, em décadas recentes, geraram abundante atividade desse tipo”.
“Na década de 1960 e princípio da de 1970, vários sociólogos ilustres formularam uma interpretação da sociedade moderna que rotularam de teoria da sociedade pós-industrial”.
“A idéia de uma sociedade pós-industrial provocou intensos debates. Suas deficiências, bem como as estimulantes questões que suscitava, despertaram a atenção de muita gente”.
“Na história do industrialismo, o período do pós-guerra de crescimento contínuo era o que, nesse momento, parecia construir o episódio excepcional, o acaso feliz. Seu término reativara alguns dos conflitos clássicos e os debates sobre o industrialismo”.
“O industrialismo clássico, o tipo de sociedade analisada por Marx, Weber e Durkheim, o tipo de sociedade habitada pela maioria dos ocidentais no último século e meio não mais existia”.
“A continuidade mais evidente em relação à teoria pós-industrial anterior é vista na interpretação da sociedade moderna como a “sociedade de informação”.”
“O conceito de sociedade de informação ajusta-se bem à tradição liberal, progressivista, do pensamento ocidental. Mantém a fé do Iluminismo na racionalidade e no progresso. Seus atuais expoentes pertencem, em geral, ao centro do espectro ideológico.”
“Os marxistas foram alguns dos denunciantes mais vigorosos da idéia pós-industrial inicial, que consideravam ser a mais clara demonstração da fase final da ideologia burguesa. Então, alguns deles formularam sua própria versão da teoria pós-industrial, que tem sido manifesta comumente sob a bandeira do pós-fordismo”.
“As mudanças na sociedade nesta última parte do século XX, no entanto, são consideradas tão significativas, e constituem um rompimento tão radical com os padrões e práticas capitalistas anteriores que é claro para esses autores que terão de ser feitas revisões profundas na teoria marxista para que ela permaneça útil”.
“O pós-modernismo é a mais abrangente das teorias recentes. Acolhe em seu generoso abraço todas as formas de mudança – cultural, política e econômica”.
“(...) em sua constituição ideológica quanto o ecletismo, que considera ser uma característica principal do mundo moderno, o pós-modernismo é a teoria moderna de avaliação mais difícil. Seus termos podem levar-nos a um círculo confuso de auto-referências. Não obstante, sua atração evidente para teóricos de todas as correntes do espectro ideológico lhe confere um direito inegável a receber nossa atenção”.
“(...) o pós-modernismo despertou interesse entre grande parte da população erudita do mundo ocidental”.
“Será o pós-modernismo apenas um mito, já que numerosas pessoas acreditam, ou podem ser convencidas a acreditar, que vivem em tal situação?”
“(...) demonstrar o quanto as teorias modernas podem dizer a respeito de nossos tempos e de nós mesmos.”
“Grande parte da literatura sobre a teoria pós-industrial é negativa em excesso – não necessariamente errada em sua crítica, mas pouco disposta a reconhecer o valor desse tipo de pensamento, e cega para as opiniões, muito reais, das populações modernas, para as quais ela constitui, pelo menos em parte, uma resposta. Os críticos marxistas, em particular, parecem peculiar e perversamente insensíveis à dialética da indagação intelectual e ao seu potencial, bem conhecido, de gerar aumento de conhecimentos.”
“Parece haver de fato alguma coisa agindo neste particular, algo na experiência das sociedades modernas contemporâneas que, de forma persistente, provoca não apenas “o senso de fim”, mas também de novos começos. O ano milenar 2000 sem a menor dúvida estimulará muitas outras opiniões desse tipo”.


Referencia:
KUMAR, Krishan. Da Sociedade Pós-Industrial à Pós Moderna: Novas teorias sobre o mundo contemporâneo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997. Páginas 13 a 17.

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