terça-feira, 16 de dezembro de 2008

As transformações do capitalismo - Fordismo - David Harvey

Introdução

No final do séc. xx são abundantes os sinais e marcas de modificações radicais em processos de trabalho, hábitos de consumo, configurações geográficas e geopolíticas, poderes e práticas do Estado.
No texto o autor fala em regime de acumulação no modo regulamentação social e política para os grandes eventos ocorridos na primeira grande recessão pós-guerra em 1973.
Regime de Acumulação descreve a estabilização, por um longo período da alocação do produto líquido entre o consumo e acumulação, implica em alguma correspondência entre a transformação - tanto das condições de produção como de reprodução de assalariados. Isto tem a ver com a materialização do regime de acumulação, o qual toma a forma de leis, normas redes de regulamentação que garantam a unidade do processo, ou seja, a consistência apropriada entre os comportamentos individuais e o esquema de produção. Modo de Regulamentação é esse corpo de regras e processo sociais interiorizados
No Sistema Capitalista existem duas áreas de dificuldade: a primeira referente a qualidade anárquicas do mercado de fixação e a segunda da necessidade de exercer controle sobre o emprego da força de trabalho para garantir lucros para o maior possível de capitalistas.
Os mercados de fixação de preços fornecem inúmeros sinais com o alto grau de descentralização que permitem os produtores coordenem as decisões de produção com a necessidade, desejo e vontade dos consumidores. Então, é necessário a intervenção do Estado para compensar as falhas do mercado, evitar excessivas concentrações de poder e combater o abuso do privilégio de monopólio, fornecendo segurança, educação, infra-estruturas sociais e físicas, as quais não podem serem reproduzida se vendidas pelo mercado, impedindo então falhas incontroladas, decorrentes de surtos especulativo.
As pressões exercidas pelo Estado ou por outras instituições aliadas ao exercício do poder de domínio do mercado afetam a dinâmica do capitalismo. Essas pressões, direta ou indiretamente, acabam por moldar a trajetória e a forma do desenvolvimento capitalista dos modos, cuja compreensão vai além da análise das transformações do mercado.

O Fordismo

O fordismo não era apenas um modelo de produção mas também um novo modelo de trabalhador e de sociedade. Ford acreditava que diminuindo a carga horária (8 horas/dia) do seu trabalhador e aumentando o valor pago pelo seu dia (US$ 5,00), ele teria mais tempo e dinheiro para comprar e assim movimentar a economia. Além do mais, era enviado à casa dos trabalhadores “privilegiados”, um assistente social para averiguar a racionalidade dos gastos com a família.
Não demorou muito para que as atitudes de Ford revelassem problemas sociais, econômicos, políticos e psicológicos na sociedade como um todo. Ou seja, colapso da economia - crise da Bolsa de 1929. Segundo o próprio autor, “foi necessário o New Deal de Roosevelt para salvar o capitalismo – fazendo, através da intervenção do Estado, o que Ford tentara fazer sozinho”.
No período entre guerras, a Europa ofereceu fortes resistências quanto a implantação do modelo fordista nas fábricas. Um grande fator para esse impedimento foi que Ford usara muito a mão-de-obra imigrante e os mesmos conheciam bem o sistema e o quanto os “trabalhadores americanos eram hostis” – palavras de David Harvey. Resultado: grande rotatividade da força de trabalho.

O Fordismo teve seu ápice na 2ª guerra mundial, foi preciso uma enorme revolução das relações de classe para acomodar a disseminação do fordismo à Europa.
Os trabalhadores precisavam ser disciplinados em sistemas de produção vovos e mais eficientes.
O período pós-guerra viu a ascensão de uma série de indústrias baseadas em tecnologias amadurecidas no período entre guerrass e levadas a novos extremos de racionalização na Segunda Guerra Mundial. Os carros, a contrução de navios e de equipamentos de transporte, o aço, os produtos petroquímicos, a borracha, os eletrodomésticos e a construção se tornarma os propulsores do crescimento econômico, concentrando-se numa série de regiões de grande produção da economia mundial.
Mas o crescimento fenomenas da expansão de pós-guerra dependeru de uma série de compromissos e reposicionamento por parte dos principais atores dos processos de desenvolvimento capitalista. O Estado teve de assumir novos papéis e construir novos poderes institucionais; o capital corporativo teve de ajustar as velas em certos aspectos para seguir com mais suavidade a trilha da lucratividade segura; e o trabalho organizado teve de assumir novos papéis e funções relativos ao desempenho nos mercados de trabalho e nos processo de produção.



"O acúmulo de trabalhadores em fábricas de larga escala sempre trazia a ameaça de uma organização trabalhista mais forte e o aumento do poder desta classe.
Segundo Harvey, Nem todos eram atingidos pelos beneficios do Fordismo, havendo na verdade sinais abundantes de insatisfação mesmo no apogeu do sistema."

Referencia:
HARVEY, David. A condição pos-moderna. São Paulo: Loyola, 1989

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