quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O problema

Segundo Durkheim, a divisão do trabalho não é recente, mas foi Adam Smith o primeiro a tentar teorizá-la. Ela não é especifica do mundo econômico. As funções política, administrativas, judiciárias especializam-se cada vez mais, o mesmo ocorre com as funções artísticas e cientifica.
“... A divisão social do trabalho passa a aparecer apenas como uma forma particular desse processo geral, e as sociedades, conformando-se a essa lei, parecem ceder a uma corrente que nasceu bem antes delas e que atrasa no mesmo sentido todo o mundo vivo...”
De acordo com Durkheim “qualquer que seja o nosso juízo sobre a divisão social do trabalho, todo o mundo sente bem que ela é e se torna cada vez mais uma das bases fundamentais da ordem social.”
“... Parece que a opinião se inclina cada vez mais no sentido de se tornar a divisão do trabalho uma regra imperativa de conduta, a impô-la como um dever.”
“(...) Queremos que a atividade, em vez de se dispersar numa ampla superfície se concentre em intensidade o que perde em extensão”...
“... Cada vez mais julgamos necessário não submeter todas as nossas crianças a uma cultura uniforme, como se devessem levar todas a mesma vida, mas formá-las de maneira diferente, tendo em vista as diferentes funções que serão chamadas a preencher...”
“(...) Se a opinião pública sanciona a regra da divisão do trabalho, não o faz sem uma espécie de inquietação e de hesitação...”
Conforme afirma Durkheim, não há resumos das características essenciais que as regras morais apresentam de fato em determinada sociedade ou determinado tipo de grupo social, mas exprimem apenas a maneira como o moralista representa a moral.
“(...) Para saber o que é objetivamente a divisão do trabalho, não basta desenvolver o conteúdo da idéia que dela temos, mas é preciso tratá-la como um fato objetivo, observar, comparar e veremos que o resultado dessas observações muitas vezes difere daquele que é o sentido intímo nos sugere.”

Referencia:
DURKHEIM, Èmile. Da divisão do trabalho Social, tradução Eduardo Brandão, 2ªed.-São Paulo: Martins Fontes,1999

Investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações

Adam Smith

Capítulo I: Sobre a divisão do trabalho

O aumento da produtividade, o aumento de máquinas e a especialização do trabalhador, podem ter sido uma conseqüência da divisão do trabalho. Esta está aplicada em fábricas de pequeno, médio e grande porte. Ou seja, independente do tamanho, ela se faz presente e é possibilitadora de um aumento proporcional da produção.
A divisão do trabalho é mais aplicável na indústria do que na agricultura. Na última, não é possível “realizar uma completa separação dos diferentes ramos de trabalho”, pois não é de sua natureza. Porem, na indústria, ela é amplamente aplicada.
Com essas divisões, o operário foca o seu trabalho em uma função (colocar e apertar um parafuso, por exemplo), que por sua vez, se torna mais ágil no processo e também não há tempo de dispersar-se. Além do mais, com um maquinário cada vez mais moderno, se faz desnecessário o uso de muitos homens. A máquina vem para facilitar e diminuir o trabalho do mesmo.
Tudo que é produzido, desde as máquinas aos produtos de subsistência, é para uso da humanidade. Se pararmos para pensar, nós dependemos do trabalho do outro para sobreviver, assim como o outro depende do nosso. Daí a necessidade de produzir muito: para que todos possam usufruir dos bens produzidos.

Capítulo II: Sobre o princípio que deu origem a divisão do trabalho

A divisão do trabalho surgiu como uma conseqüência do hábito de trocar o excedente da produção, que é característico de seres humanos. Com este costume, ao longo do tempo, o homem se leva a “dedicar-se a uma única tarefa e a desenvolver e aperfeiçoar qualquer talento ou habilidade que possui para um dado tipo de atividade”. Daí teremos as profissões.
Caso não houvesse a divisão do trabalho, todos os homens teriam que produzir tudo que fosse necessário para sua sobrevivência. E como todos teriam que fazer o mesmo trabalho, não haveria as diferenças de aptidões.

SMITH, Adam. Investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações. 2ª edição. São Paulo: Abril Cultural, 1979. Páginas 7 à 15.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

As transformações do capitalismo - Fordismo - David Harvey

Introdução

No final do séc. xx são abundantes os sinais e marcas de modificações radicais em processos de trabalho, hábitos de consumo, configurações geográficas e geopolíticas, poderes e práticas do Estado.
No texto o autor fala em regime de acumulação no modo regulamentação social e política para os grandes eventos ocorridos na primeira grande recessão pós-guerra em 1973.
Regime de Acumulação descreve a estabilização, por um longo período da alocação do produto líquido entre o consumo e acumulação, implica em alguma correspondência entre a transformação - tanto das condições de produção como de reprodução de assalariados. Isto tem a ver com a materialização do regime de acumulação, o qual toma a forma de leis, normas redes de regulamentação que garantam a unidade do processo, ou seja, a consistência apropriada entre os comportamentos individuais e o esquema de produção. Modo de Regulamentação é esse corpo de regras e processo sociais interiorizados
No Sistema Capitalista existem duas áreas de dificuldade: a primeira referente a qualidade anárquicas do mercado de fixação e a segunda da necessidade de exercer controle sobre o emprego da força de trabalho para garantir lucros para o maior possível de capitalistas.
Os mercados de fixação de preços fornecem inúmeros sinais com o alto grau de descentralização que permitem os produtores coordenem as decisões de produção com a necessidade, desejo e vontade dos consumidores. Então, é necessário a intervenção do Estado para compensar as falhas do mercado, evitar excessivas concentrações de poder e combater o abuso do privilégio de monopólio, fornecendo segurança, educação, infra-estruturas sociais e físicas, as quais não podem serem reproduzida se vendidas pelo mercado, impedindo então falhas incontroladas, decorrentes de surtos especulativo.
As pressões exercidas pelo Estado ou por outras instituições aliadas ao exercício do poder de domínio do mercado afetam a dinâmica do capitalismo. Essas pressões, direta ou indiretamente, acabam por moldar a trajetória e a forma do desenvolvimento capitalista dos modos, cuja compreensão vai além da análise das transformações do mercado.

O Fordismo

O fordismo não era apenas um modelo de produção mas também um novo modelo de trabalhador e de sociedade. Ford acreditava que diminuindo a carga horária (8 horas/dia) do seu trabalhador e aumentando o valor pago pelo seu dia (US$ 5,00), ele teria mais tempo e dinheiro para comprar e assim movimentar a economia. Além do mais, era enviado à casa dos trabalhadores “privilegiados”, um assistente social para averiguar a racionalidade dos gastos com a família.
Não demorou muito para que as atitudes de Ford revelassem problemas sociais, econômicos, políticos e psicológicos na sociedade como um todo. Ou seja, colapso da economia - crise da Bolsa de 1929. Segundo o próprio autor, “foi necessário o New Deal de Roosevelt para salvar o capitalismo – fazendo, através da intervenção do Estado, o que Ford tentara fazer sozinho”.
No período entre guerras, a Europa ofereceu fortes resistências quanto a implantação do modelo fordista nas fábricas. Um grande fator para esse impedimento foi que Ford usara muito a mão-de-obra imigrante e os mesmos conheciam bem o sistema e o quanto os “trabalhadores americanos eram hostis” – palavras de David Harvey. Resultado: grande rotatividade da força de trabalho.

O Fordismo teve seu ápice na 2ª guerra mundial, foi preciso uma enorme revolução das relações de classe para acomodar a disseminação do fordismo à Europa.
Os trabalhadores precisavam ser disciplinados em sistemas de produção vovos e mais eficientes.
O período pós-guerra viu a ascensão de uma série de indústrias baseadas em tecnologias amadurecidas no período entre guerrass e levadas a novos extremos de racionalização na Segunda Guerra Mundial. Os carros, a contrução de navios e de equipamentos de transporte, o aço, os produtos petroquímicos, a borracha, os eletrodomésticos e a construção se tornarma os propulsores do crescimento econômico, concentrando-se numa série de regiões de grande produção da economia mundial.
Mas o crescimento fenomenas da expansão de pós-guerra dependeru de uma série de compromissos e reposicionamento por parte dos principais atores dos processos de desenvolvimento capitalista. O Estado teve de assumir novos papéis e construir novos poderes institucionais; o capital corporativo teve de ajustar as velas em certos aspectos para seguir com mais suavidade a trilha da lucratividade segura; e o trabalho organizado teve de assumir novos papéis e funções relativos ao desempenho nos mercados de trabalho e nos processo de produção.



"O acúmulo de trabalhadores em fábricas de larga escala sempre trazia a ameaça de uma organização trabalhista mais forte e o aumento do poder desta classe.
Segundo Harvey, Nem todos eram atingidos pelos beneficios do Fordismo, havendo na verdade sinais abundantes de insatisfação mesmo no apogeu do sistema."

Referencia:
HARVEY, David. A condição pos-moderna. São Paulo: Loyola, 1989

Sociedade da Informação e Educação

Vladimir de Paula Brito

Resumo

Introdução

“A economia capitalista tem sofrido uma série de transformações nas últimas décadas. (...) Considerando-se as disparidades existentes entre países ricos e países pobres, corremos o risco de nos vermos em um fosso social e econômico cada vez mais intransponível. Para um terço da humanidade, a palavra capitalismo ainda significa, na prática, fome e exclusão.
(...) É tão evidente sua marginalização econômica e social, que, ao se observarem massacres terríveis de suas populações por disputas de etnias rivais ou guerras civis, não se vê nenhuma predisposição das grandes potências, representadas pela ONU, em intervir para defender a “liberdade”, como acontece em outros casos como o do Kuwait, que se encontra em cima de uma das maiores reservas de petróleo do mundo...
(...) A Escola Pública, em países como o Brasil, pode cumprir mais um papel fundamental. Como os novos paradigmas econômicos e sociais são edificados pela via da informação e do conhecimento, a Escola, como um ambiente cujo trabalho envolve centralmente estes, tornou-se um instrumento central para o ingresso do cidadão no mercado de trabalho formal. (...) não cabe à Escola responder às demandas de qualificação de uma sociedade excludente, como se um mar de oportunidades fosse surgir caso a sociedade fosse extremamente qualificada (...) cabe à Escola um papel mais profundo, cabe-lhe questionar as regras do jogo. Formar um cidadão é formar a capacidade de questionamento, de auto-aprendizado, de julgamento. Será instrumentalizando a sociedade com as indagações necessárias que se criarão instrumentos para esta questionar o modelo de distribuição de renda proposto pelas grandes potências e aceito passivamente pelas elites nacionais”...

Economia: do colonialismo ao neocolonialismo

Origens

“Quando Marx previu o fim do capitalismo, partia do pressuposto de que o sistema capitalista possui uma necessidade intrínseca de expansão da produção. (...) Como o capitalista investe constantemente no aprimoramento produtivo, sua margem de lucro por unidade produzida diminui constantemente. Afinal, no custo do produto está embutido o que gastou com empregados e equipamentos necessários. Só lhe resta uma alternativa: produzir um maior número de produtos de forma que possa recuperar sua margem de lucros ou quem sabe aumentá-la, a partir de suas vendas globais (...) a maturação da economia capitalista provocou profundas mudanças sociais,bem como a total ocupação do globo, a partir da óptica dos mercados. Países com cultura secular, como a China, viram-se subitamente à mercê das grandes potências econômicas e de seus canhões. (...) Como a perspectiva de recessão econômica é mais ingrata ao capitalista, pois pode perder sua empresa conforme o tamanho da crise, o instrumento mais atraente nos primórdios da economia de mercado era a utilização da guerra (...) no pós-guerra, um terço da humanidade abandona a economia capitalista, aderindo à planificação estatal e à coletivização das forças produtivas, ou seja, um terço do Globo passa a não estar mais “disponível” ao “mercado”.(...) surgem as armas atômicas, que passam a representar um grande mecanismo de dissuasão, à medida que põem em xeque a própria existência da humanidade. (...) O objetivo: a recolonização dos países de terceiro mundo, só que desta vez menos pela via militar e mais pela via econômica”...

Capital financeiro e especulativo

“O surgimento do capital financeiro parte da seguinte lógica econômica: a produção gera lucros ao capitalista; enquanto uma parte do lucro geralmente é reinvestida na produção, uma outra é realizada, ou seja, o capitalista a toma para si e para seu bem-estar...
(...) À medida que as economias foram fazendo uso intensivo do capital disponível, passou a ser comum a especulação financeira, em que a simples transferência de capitais de um lugar para o outro (...) significa a total falência econômica ou a conquista de novos mercados. Também surgiu o conceito de bolsa de valores: um lugar em que as empresas ofereciam percentuais de propriedade materializados em ações, em troca de financiamento...
...O sonho dos financistas passou a ser o de um mercado global, em que os capitais pudessem fluir de uma economia para outra..

Neoliberalismo, globalização e recolonização

“... As grandes potências econômicas, em particular a Inglaterra e os Estados Unidos, depois de um pequeno laboratório na economia do Chile, retomam conceitos econômicos do século dezenove que pregavam a ausência total do Estado nos mercados...
(...) Com a proliferação do neoliberalismo, sobretudo a partir do consenso de Washington, uma enxurrada de privatizações começa a ocorrer, em particular em países do terceiro mundo. Outro aspecto relevante do neoliberalismo é que ele preconiza a total abertura das economias para o capital. Países que antes protegiam suas economias com a fixação de taxas alfandegárias passam a diminuir taxas, ou mesmo a eliminá-las possibilitando a entrada de produtos importados...
(...)No marco de uma disputa econômica cada vez mais global, cuja velocidade dos processos é enorme, a informação passa a ser um instrumento basilar na busca pelo lucro, e as ferramentas que ajudam a fazer trafegar a informação, como a Internet, adquirem um novo valor econômico.”

Sociedade da informação
A nova importância econômica da informação


“Neste “admirável mundo novo”, a sociedade da informação possibilita a continuidade do sistema capitalista, como uma alternativa de desenvolvimento econômico para as grandes potências. Os mercados globais – que eram obtidos mediante o uso da força e das crises econômicas de superprodução – são novamente abertos pela via do neoliberalismo e da informação...
(...) A informação passa a ser um conceito-chave no processo produtivo global. (...) É a partir das redes de informação que estão sendo edificadas lojas virtuais, sem funcionários nem prédios, que funcionam vinte e quatro horas por dia, sete dias na semana...
(...) À medida que os instrumentos de geração de riquezas se deslocam para os segmentos da economia que se utilizam intensivamente da informação, vários setores sociais entram rapidamente em uma perigosa dinâmica de obsolescência funcional.”

Impactos Sociais: uma catástrofe anunciada


“(...) Todas as transformações econômicas anteriores que o mundo viveu, seja das sociedades agrárias até a revolução industrial, provocaram profundos deslocamentos de poder.(...) Quando surge o motor a vapor e se inicia a revolução industrial, o homem vê-se deslocado bruscamente do campo para a cidade. Ao longo do século XX, o campo esvazia-se e as cidades tornam-se cada vez mais um pólo de atração porque é nelas que estão as indústrias e conseqüentemente, os meios de sobrevivência.(...) Aqueles países, empresas ou pessoas que não souberem ou não adquirirem mecanismos para lidar com a informação certamente terão um papel econômico cada vez mais subalterno, arcando com as conseqüências sociais que possam advir disso. (...) Os países de primeiro mundo concentram-se na produção de bens com uso de intensivo de tecnologia e informação, como a indústria dos processadores de computador, redes ou telefonia, enquanto os países de terceiro mundo têm que se contentar com a produtos agrícolas, que têm baixíssimo desenvolvimento como o Brasil é reservada parte da indústria, geralmente poluente, que aos países desenvolvidos não interessa mais manter em seus territórios...
Ao pensarmos uma sociedade tão díspare como a brasileira, podemos concluir que as tecnologias da informação, subordinadas à óptica neoliberal vão significar certamente mais exclusão social em um país com mais de cinqüenta milhões de excluídos...”

Globalização, trabalho e educação

... “Com o capitalismo informacional, ter acesso à Escola e à informação, mais do que acesso à cultura ou à possibilidade de ascensão social, significa ter acesso ao mercado de trabalho. (...) Levando-se em conta que, até há algumas décadas, o perfil ideal do trabalhador fabril, do ponto de vista das empresas, era algo próximo ao analfabetismo, isto nos dá a dimensão da velocidade das transformações que vivemos
(...) A solução apontada às pessoas é “estude”, aprenda “Windows”, navegue na
Internet, tire o segundo grau, faça universidade, tenha uma pós-graduação. As pessoas são levadas a tentar acumular conhecimentos sem ter em mente o porquê.
(...) O caminho para a construção de uma sociedade mais igualitária, em tempos de sociedade da informação, é o caminho de uma Escola que represente a possibilidade de construção e reprodução de uma política em que os valores sociais sejam o tema central.”

Escola enquanto instrumento de transformação

... “A Escola pode e deve cumprir um papel muito mais importante para a sociedade, em particular para os segmentos oprimidos, que é o de elo de continuidade cultural, de transmissora e construtora de cultura. (...) cabe à Escola ajudar a construir os questionamentos e indagações que se fazem necessários...
(...) Nesse sentido é dado mais um desafio à Escola: o desafio de utilizar-se dos recursos informacionais existentes dentro de uma perspectiva de inclusão e questionamento.”

Possibilidades, por enquanto, possibilidades

“... As ferramentas da informação tais como o computador, podem representar uma enorme gama de possibilidades para o ensino, modificando para melhor vários processos, e ainda apresentando uma série de novas oportunidades, principalmente se estiverem a serviço das coletividades...
(...) A Internet possibilita um nível nunca imaginado de possibilidades em relação ao trabalho em grupo. Mediante a conjugação de correio eletrônico e endereços de conteúdo, pode-se congregar virtualmente quaisquer coletivos que se queiram.
(...) A Escola, ao se descolar do viés tecnicista e profissionalizante, pode fazer das tecnologias digitais instrumentos que possibilitem grandes transformações nas relações de ensino e aprendizagem...
(...) O papel da educação em relação à sociedade da informação é pautado tanto pelas concepções vigentes de Escola para o trabalho quanto pela forma com que o computador entra na própria Escola.”

Informação a serviço da Educação, e não o contrário

“Ao pensarmos o uso da informação na Escola Pública, é importante também estabelecermos algumas considerações, pois a mera disponibilização de equipamentos não significa necessariamente a ruptura das diferenças socioeconômicas que vivemos. Se quisermos fazer da tecnologia nossa aliada, primeiramente temos que pensar por que queremos esta tecnologia, pois existem muitas contradições em seu uso....
Dentro dessa lógica, muitas vezes a serviço das grandes empresas de informática, diga-se de passagem, distintos programas governamentais já despejaram milhares de computadores dentro das Escolas, como se a simples presença de ícones pós-modernos fossem suficientes para edificar a democratização da sociedade informacional. Infelizmente, com honrosas exceções, os computadores muito pouco contribuíram para qualquer processo de democratização e uso da informação. (...) A Escola compra o software como se este fosse isento, ideologicamente falando, como se não estivesse subordinado a uma concepção política de ensino, muitas vezes reacionária. (...) A forma com que a Sociedade da informação tem adentrado as escolas públicas até agora tem obedecido rigorosamente, mais uma vez, a uma lógica mercadológica.
(...) Antes de tudo, o grande desafio colocado para a Escola Pública é a subordinação das ferramentas informacionais ao projeto político-pedagógico que se constrói dentro das mesmas...
À medida que a Escola elucide as suas perspectivas político-pedagógicas, aí sim, a tecnologia pode e deve cumprir um grande papel.”

Computador: a serviço de quem?

“Mas não basta subordinar a informação à política. À medida que a Escola não tenha como concepção de relação com a comunidade a inclusão social e o combate ao analfabetismo, isso automaticamente irá refletir-se na forma de trabalhar a Informática e a informação. Aliás, é bastante comum Escolas, geralmente particulares, construírem projetos de uso dos recursos informacionais disponíveis, mas esses pouco questionam a lógica da exclusão social (...) A questão não é somente o computador na Escola, e sim a quem serve o computador na Escola. De nada nos adianta, sob a óptica da inclusão, a implementação de projetos pedagógicos profundamente avançados e desafiadores, mas que não conseguem chegar aos segmentos mais oprimidos de nossa sociedade. Uma Escola Pública que se coloque a serviço dos segmentos mais marginalizados da sociedade, que prime, portanto, pela construção da cidadania, que coloque a relação ensino e aprendizado a serviço de uma sociedade, e não de um mercado, certamente estará dando um primeiro passo para combater também a exclusão digital.
... Se temos como desafios à construção de políticas que façam da Escola um instrumento cada vez maior de combate à exclusão, não devemos deixar de levar em conta os segmentos da população que historicamente seguem excluídos, inclusive do ensino. A instituição Escola, em particular a Pública, pode e deve pensar o seu projeto político-pedagógico colocando-se como uma plataforma para o acesso as novas tecnologias da informação, não somente para seus alunos e profissionais da educação e professores, mas também da comunidade do entorno. São poucas as instituições do Estado que possuem a capilaridade e o enraizamento social das escolas.
Existem segmentos sociais que precisam de respostas urgentes para questões que dizem respeito à própria dignidade humana...”

Conclusão

“...Como vimos, esse processo não vai findar sem uma intervenção social que modifique a lógica de mercado, a lógica neoliberal. Combater essa lógica é fazer da Escola um espaço de resistência, um espaço de questionamento. É utilizar as novas tecnologias da informação a serviço da construção de conhecimento e cidadania, combatendo a mitificação do computador..
Existe um massacre lá fora. Ao invés das distâncias diminuírem, elas tem aumentado. Agora, além do letramento, existe a tecnologia (...) A partir da informação, podemos ampliar as possibilidades da palavra aprender, e este aprender, desde que subordinado às necessidades do homem, pode realmente mudar o mundo, como já o fez tantas vezes...
À medida que possamos compreender o que está em disputa e a relevância do papel da instituição Escolar nesse contexto, podemos perceber que, ao construirmos políticas que coloquem a tecnologia da informação a serviço do combate à exclusão social, estaremos concomitantemente instrumentalizando a sociedade no combate ao projeto neoliberal, que nada mais é do que a exclusão instituída e globalizada.”

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Prólogo: a Rede e o Ser

No final do séc. XX as tecnologias da informação começaram a remodelar a base material da sociedade aceleradamente. Cai o socialismo e cresce o capitalismo, que passa por um processo de reestruturação:
- maior flexibilidade de gerenciamento;
- descentralização das empresas;
- declínio dos movimentos de trabalhadores;
- individualização e diversificação as relações de trabalho;
- aumento da força de trabalho feminina;
- intervenção do Estado na economia;
- aumento da concorrência econômica global.

Em conseqüência desta revisão geral do sistema capitalista, testemunhou-se:
- a integração global dos mercados financeiros;
- o desenvolvimento da região do Pacífico asiático como o novo centro industrial global dominante;
- a difícil unificação econômica da Europa;
- o surgimento de uma economia regional na América do Norte;
- a diversificação, depois desintegração, do Terceiro Mundo;
- a transformação gradual da Rússia e da antiga área de influência soviética nas economias de mercado;
- a incorporação de preciosos segmentos de economias do mundo inteiro em um sistema interdependente que funciona como uma unidade em tempo real;
- acentuação de um desenvolvimento desigual entre o Norte e o Sul e, entre os segmentos e territórios dinâmicos das sociedades;
- revolução informacional (novo sistema da comunicação que fala cada vez mais uma língua digital universal);
- redefinição de relações entre homens, mulheres e crianças e, consequentemente, da família, sexualidade e personalidade;
- as sociedades estão cada vez mais estruturadas em uma oposição bipolar entre a Rede e o Ser.

Tecnologia, sociedade e transformação histórica

A tecnologia da informação está presente em todos os momentos da atividade humana. É claro que a tecnologia não determina a sociedade, nem a sociedade escreve o curso dessa transformação tecnológica, uma vez no processo que muitos fatores, inclusive criatividade e iniciativa empreendedora, intervêm no processo de descoberta cientifica, inovação tecnológica e aplicações sociais, de forma que o resultado final depende de um complexo padrão interativo. Assim, quando na década de 1970 um novo paradigma tecnológico, organizado com base na tecnologia da informação, em intervenção com a economia global e a geopolítica mundial, que concretizou um novo estilo de produção, comunicação, gerenciamento e vida. É provável que o fato de a constituição ter ocorrido na Califórnia e nos anos 70, tenha tido grandes conseqüências para a evolução das tecnologias de informação. Por ex.; apesar do financiamento e dos mercados nos primeiros estágios da indústria eletrônica, pode de certa forma ser relacionado ao espírito de liberdade, inovação individual e iniciativa empreendedora abundante da cultura dos campi norte-americanos da década de 60. A ostentação nos dispositivos, na interatividade, na formação de redes e na busca incansável de novas descobertas tecnológicas, não combinava muito com a tradição, de certa forma cautelosa, do mundo corporativo. A revolução da tecnologia da informação difundiu pela cultura mais significativa de nossas sociedades o espírito libertário dos anos 60. Porém, logo que se propagaram e foram apropriadas por outros países, culturas, organizações diversas e diferentes objetivos, as novas tecnologias da informação explodiram em todos os tipos de aplicações, acelerando a velocidade e ampliando as transformações tecnológicas.
Como se sabe, a INTERNET originou-se na década de 1960, com a intenção de impedir a destruição do sistema norte-americano de comunicação, em caso de guerra nuclear contra os soviéticos. O resultado foi uma arquitetura de rede, que não podia ser controlada a partir de nenhum centro e é composta de redes de computadores autônomos com inúmeras maneiras de conexão, contornando barreiras eletrônicas. Essa rede foi apropriada por indivíduos e grupos no mundo inteiro e com todos os tipos de objetivos, bem diferentes das intenções para a qual foi criada durante a Guerra Fria.
Entretanto, embora não determine a tecnologia, a sociedade pode sufocar seu desenvolvimento principalmente por intermédio do Estado. Ou também pela intervenção do Estado, as tecnologias podem se modernizar tão rapidamente que mude completamente os destinos das economias, do poder militar, e do bem estar social.
Sem duvida, as sociedades poderem dominar a tecnologia e, em especial aquelas tecnologias que são estrategicamente decisivas em cada período histórico, e podemos dizer que embora não determine a evolução historia e a transformação social, a tecnologia incorpora a capacidade de transformação das sociedades, onde sempre em processos conflituosos demonstram seu potencial tecnológico.
Quando o renascimento estava ainda nascendo na Europa, a China já era considerada a civilização mais avançada tecnologicamente. O arado de ferro, por ex.; surgiu no séc. VI e foi adaptado ao cultivo de arroz em campos molhados dois séc. depois. No setor têxtil, a roca apareceu no Ocidente, mais progrediu mais rapidamente na China devido a uma antiga tradição da tecelagem. Além de seus navios viajarem mais rapidamente, os chineses inventaram a bússola. No setor militar, além de inventarem a pólvora, os chineses desenvolveram a indústria química capaz de fornecer poderosos explosivos. Em medicina, técnicas como acupuntura tinham resultados extraordinários, é claro, a primeira revolução no processamento da informação foi chinesa. Em 1842, a China percebeu, tarde demais, que o isolamento não conseguia proteger o Império. Desde então a China levou mais de um século para começar a recuperar-se desse destino catastrófico de sua trajetória.
Com base em pesquisas de historiadores como Qian, Jones e Mokyr, pode-se sugerir uma interpretação que ajude no entendimento da interação sociedade x historia x tecnologia.
Segundo Needham, a cultura chinesa procura manter a harmonia entre homem e natureza, e ele ainda contesta o critério ocidental utilizado para medir o desenvolvimento tecnológico. Mokyr, também considera o Estado um fator crucial na explicação do atraso do avanço tecnológico chinês. Com isso, levanta-se a questão, porque o país que inventou a bússola, a pólvora, e o Estado que foi o maior engenheiro hidráulico, repentinamente inibiria suas inovações? A resposta obvia é que não era o mesmo Estado, mas porque a classe burocrática ficou mais profundamente enraizada na administração.
Um Estado burocrático, sem incentivo externo, optou mais pela neutralidade, interrompendo assim sua trajetória tecnológica. O fato é que, após séculos, o Estado chinês pôde construir de outro modo uma base avançada em tecnologia nuclear, mais uma vez demonstra o vazio da interpretação em relação ao seu atraso tecnológico.
Outro país que se destaca, porém, como um exemplo oposto é o Japão. O Japão passou por um período de isolamento histórico ainda mais profundo que o da China. Contudo, o isolamento tecnológico não foi total e a inovação permitiu que o Japão prosseguisse com mudanças incrementais em ritmo mais acelerado que o da China. Com inúmeras formas de demonstração de tecnologia, como uma fabrica de produtos elétricos, que hoje são chamados de Toshiba.
Com essa base tecnológica o Japão acelerou sua entrada na era da eletricidade e das comunicações, décadas depois o Japão estava conectado com o mundo inteiro através de uma rede transcontinental.
Percebemos então que o Japão se tornou um grande participante nas indústrias de tecnologia de informação. É interessante ressaltar que essa evolução do Japão ocorreu no mesmo período em que a união soviética, fracassou nessa importante transição tecnológica. E também nos é interessante perceber que os resultados obtidos por China e União Soviética são totalmente diferentes em relação ao Japão. Deve-se guardar da relação entre tecnologia e a sociedade é que o papel do Estado é um fator no processo geral. Em grande parte a tecnologia expressa à habilidade de uma sociedade para impulsionar seu domínio tecnológico por intermédio das instituições sociais, incluindo o Estado. Não é diferente no caso da revolução tecnológica atual.

Informacionalismo, Industrialismo, Capitalismo, Estatismo:
Modos de Produção e Modos de Desenvolvimentos

Um fator importante para a reestruturação do Sistema Capitalista, a partir da década de 1980, foi a revolução da tecnologia. E este capítulo busca em especial evidenciar as diferenças e definir teoricamente o capitalismo / estatismo, industrialismo / informacionalismo.
As sociedades são organizadas em meio a processos estruturados por relações historicamente determinadas por produção, experiência e poder.
“Produção” é a ação da humanidade sobre a matéria (natureza) para transformá-la em produto para ser consumido pela sociedade, acumulando o excedente para investimento, conforme vários objetos socialmente determinados.
“Experiência” é a ação do sujeito sobre si mesmo, interagindo identidades biológicas e culturais deste sujeito em relação aos seus ambientes sociais e naturais. “Poder” é a ação entre os sujeitos humanos que, com base na produção e a experiência, impõe a vontade de alguns sobre os outros, por meio do emprego potencial ou real da violência física ou simbólica. O Poder tem como base o Estado que impõe aos sujeitos uma estrutura rigorosa de deveres e formas de agressões informais.
A humanidade como produtora coletora inclui tanto o trabalho como os organizadores da produção; e o trabalho é diferenciado de acordo com cada um trabalhador no processo produtivo. A matéria abrange a natureza, e esta é modificada pelo homem. Esta relação entre a mão de obra e a matéria no processo do trabalho envolve o uso de meios de produção para agir sobre a matéria com base na energia, conhecimentos e informação; a tecnologia é forma mais específica dessa relação.
As estruturas sociais interagem com os processos produtivos determinando a forma apropriação, distribuição e o uso do excedente. Essas regras constituem os modos de produção, e, é isto que define as relações sociais de produção, determinando a existência de classes sociais.
No século XX temos dois modos predominantes de produção: “o capitalismo e o estatismo.” No capitalismo visa-se o aumento do excedente apropriado pelo capital com base no controle privado sobre os meios de produção e de circulação. Já no estatismo visa-se a maximização do poder – aumento da capacidade militar e ideologia do aparato político para impor seus objetivos sobre o número maior de sujeitos. Modos de desenvolvimento são os procedimentos mediante os quais os trabalhadores atuam sobre a matéria para gerar o produto, determinando o nível e qualidade do excedente. No modo de desenvolvimento industrial, a principal fonte de produtividade reside na introdução de novas fontes de energia e na capacidade de descentralização do uso de energia ao longo dos processos produtivos e de circulação.
No modo informacional de desenvolvimento, a fonte da produção baseia-se na tecnologia de geração de conhecimentos, de processamento da informação e de comunicação de símbolos. O industrialismo é voltado para o crescimento da economia, para o aumento da produção. Já o informacionalismo visa o desenvolvimento tecnológico, isto é, a acumulação de conhecimentos e maiores níveis de complexidade do processamento da informação. No modo de desenvolvimento informacional, por ser baseado na tecnologia e informação, há uma intima ligação entre cultura e forças produtivas e entre o espírito e matéria.

O Informacionalismo e a perestroyka capitalista

“O modelo keynesiano de crescimento capitalista, que levou prosperidade econômica sem precedentes e estabilidade social à maior parte das economias de mercado durante quase três décadas após a Segunda Guerra Mundial, atingiu as próprias limitações no início da década de 1970, e sua crise manifestou-se sob a forma de inflação desenfreada.”
“Em resumo, uma série de reformas, tanto no âmbito das instruções como do gerenciamento empresarial, visavam quatro objetivos principais: aprofundar a lógica capitalista de busca de lucro nas relações capital/trabalho; aumentar a produtividade do trabalho e do capital; globalizar a produção, circulação e mercados; e direcionar o apoio estatal para ganhos de produtividade e competitividade das economias racionais.”
“Pode-se afirmar que, sem a nova tecnologia da informação, o capitalismo global teria sido uma realidade muito limitada.”
“(...) o informacionalismo está ligado à expansão e ao rejuvenescimento do capitalismo, como o industrialismo estava ligado a sua constituição como modo de produção. Sem duvida, o processo de reestruturação teve manifestações muito diferente nas regiões e sociedades de todo o mundo.”
“A reestruturação prosseguiu com base na derrota política das organizações de trabalhadores nos principais países capitalistas e na aceitação de uma disciplina econômica comum pelos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).”
“Nas condições da integração financeira global, políticas monetárias nacionais autônomas tornaram-se literalmente inviáveis, uniformizando, portanto, os parâmetros econômicos básicos dos processos de reestruturação em todo o planeta.”
“Embora a reestruturação do capitalismo e a difusão do informacionalismo fossem processos inseparáveis em escala global, as sociedades agiram/reagiram a esses processos de formas diferentes, conforme a especificidade de sua história, cultura e instituições.”
“Uma teoria da sociedade informacional, diferente de uma economia global/informacional, deverá estar sempre tão atenta à especificidade histórica/cultural quanto às semelhanças estruturais referentes a um paradigma econômico e tecnológico amplamente compartilhado.”

O Ser na sociedade informal

As novas tecnologias de informação estão integrando o mundo em redes globais de instrumentalidade. A comunicação mediada por computadores gera uma gama enorme de comunidades virtuais. Os primeiros passos históricos das sociedades informacionais parecem caracterizá-las pela preeminência da identidade como seu principio organizacional. O nacionalista cultural vê a nação como um produto de sua história e cultura exclusiva, e como uma solidariedade coletiva dotada de atributos exclusivos. O surgimento do fundamentalismo religioso também parece estar ligado tanto a uma tendência global como a uma crise institucional. É significativo que o fundamentalismo tenha se difundido por todo o mundo no momento histórico em que redes globais de riqueza e poder conectam pontos nodais e valorizam os indivíduos em todo planeta embora desconectem e excluam grandes segmentos das sociedades.


CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 6ª edição. São Paulo: Paz e Terra, 1999. Páginas 39 a 66.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O Renascimento da Teoria Pós-Industrial

“Rótulos (...) podem pautar a realidade, ou, pelo menos, a realidade acadêmica. Inspiram conferencias, livros, programas de televisão. (...) “A multidão solitária”, “a sociedade afluente”, “a sociedade tecnológica”, “os persuasores ocultos”, “a elite de poder” são exemplos bem conhecidos de rótulos que, em décadas recentes, geraram abundante atividade desse tipo”.
“Na década de 1960 e princípio da de 1970, vários sociólogos ilustres formularam uma interpretação da sociedade moderna que rotularam de teoria da sociedade pós-industrial”.
“A idéia de uma sociedade pós-industrial provocou intensos debates. Suas deficiências, bem como as estimulantes questões que suscitava, despertaram a atenção de muita gente”.
“Na história do industrialismo, o período do pós-guerra de crescimento contínuo era o que, nesse momento, parecia construir o episódio excepcional, o acaso feliz. Seu término reativara alguns dos conflitos clássicos e os debates sobre o industrialismo”.
“O industrialismo clássico, o tipo de sociedade analisada por Marx, Weber e Durkheim, o tipo de sociedade habitada pela maioria dos ocidentais no último século e meio não mais existia”.
“A continuidade mais evidente em relação à teoria pós-industrial anterior é vista na interpretação da sociedade moderna como a “sociedade de informação”.”
“O conceito de sociedade de informação ajusta-se bem à tradição liberal, progressivista, do pensamento ocidental. Mantém a fé do Iluminismo na racionalidade e no progresso. Seus atuais expoentes pertencem, em geral, ao centro do espectro ideológico.”
“Os marxistas foram alguns dos denunciantes mais vigorosos da idéia pós-industrial inicial, que consideravam ser a mais clara demonstração da fase final da ideologia burguesa. Então, alguns deles formularam sua própria versão da teoria pós-industrial, que tem sido manifesta comumente sob a bandeira do pós-fordismo”.
“As mudanças na sociedade nesta última parte do século XX, no entanto, são consideradas tão significativas, e constituem um rompimento tão radical com os padrões e práticas capitalistas anteriores que é claro para esses autores que terão de ser feitas revisões profundas na teoria marxista para que ela permaneça útil”.
“O pós-modernismo é a mais abrangente das teorias recentes. Acolhe em seu generoso abraço todas as formas de mudança – cultural, política e econômica”.
“(...) em sua constituição ideológica quanto o ecletismo, que considera ser uma característica principal do mundo moderno, o pós-modernismo é a teoria moderna de avaliação mais difícil. Seus termos podem levar-nos a um círculo confuso de auto-referências. Não obstante, sua atração evidente para teóricos de todas as correntes do espectro ideológico lhe confere um direito inegável a receber nossa atenção”.
“(...) o pós-modernismo despertou interesse entre grande parte da população erudita do mundo ocidental”.
“Será o pós-modernismo apenas um mito, já que numerosas pessoas acreditam, ou podem ser convencidas a acreditar, que vivem em tal situação?”
“(...) demonstrar o quanto as teorias modernas podem dizer a respeito de nossos tempos e de nós mesmos.”
“Grande parte da literatura sobre a teoria pós-industrial é negativa em excesso – não necessariamente errada em sua crítica, mas pouco disposta a reconhecer o valor desse tipo de pensamento, e cega para as opiniões, muito reais, das populações modernas, para as quais ela constitui, pelo menos em parte, uma resposta. Os críticos marxistas, em particular, parecem peculiar e perversamente insensíveis à dialética da indagação intelectual e ao seu potencial, bem conhecido, de gerar aumento de conhecimentos.”
“Parece haver de fato alguma coisa agindo neste particular, algo na experiência das sociedades modernas contemporâneas que, de forma persistente, provoca não apenas “o senso de fim”, mas também de novos começos. O ano milenar 2000 sem a menor dúvida estimulará muitas outras opiniões desse tipo”.


Referencia:
KUMAR, Krishan. Da Sociedade Pós-Industrial à Pós Moderna: Novas teorias sobre o mundo contemporâneo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997. Páginas 13 a 17.

Apresentação

Este blog foi criado por: Ana Carolina Silva, Ana Clara, Brena Franco, Helen Perucci, Jair da Lomba e Suzimeire Alves, como proposta avaliativa da disciplina "Educação e Tecnologia: Sociedade da Informação e do Conhecimento" ministrada pelo prof. Tadeu no NF II E, FaE UEMG/2008
O objetivo do mesmo é produzir conhecimento, a partir da chuva de informações que recebemos durante o período em questão.